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edição 377, junho de 2007.
Prisão ou Prevenção
Qual a solução para a violência

Junho de 2007


Criatividade e prazer na aprendizagem de Matemática
Aquecimento global não é ficção científica
Novos tempos, novos jeitos de amar?
Jovens encaram desafio pastoral e social
REALIDADE BRASILEIRA
As prisões resolvem o problema da violência (p.12-13)
A população está amedrontada com a violência e percebe que corre riscos reais. Os mais desprotegidos, aliás, são os pobres. É natural, então, que se exijam soluções. O problema é que a “receita” que vem sendo insistentemente divulgada pela mídia é uma estupidez. Muitos de nossos “formadores de opinião” não fazem a menor idéia do que seja prevenção em segurança, mas estão firmemente convencidos de que a solução é mais repressão, mais presídios e leis penais mais duras. Não se dão conta de que o Brasil trilha este caminho há muito tempo e que os resultados até agora oferecidos por esta opção redundaram em um fracasso vergonhoso.
Marcos Rolim,
jornalista e consultor em segurança pública, autor do livro
A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI,
editora Zahar, 2006.
Endereço eletrônico: marcos@rolim.com.br
Site: www.rolim.com.br

SOCIOLOGIA
Consumir: desejo ou necessidade? (p.2)
Na vida, há coisas que são necessidades básicas. Sem elas não tem como viver. Por exemplo: comer, beber, vestir, dormir... É aceitável dizer, também, que existem outras necessidades que poderíamos chamar de secundárias, como ter um automóvel, um computador, um televisor etc. Outras coisas ainda podem ser consideradas supérfluas. Porém, o tema é mais complexo do que parece.
Dirceu Benincá,
padre, mestre em Ciências Sociais.
Endereço eletrônico: dirceuben@ig.com.br

PSICOLOGIA
Educar para a convivência (p.3)
Cada vez mais o individualismo selvagem e até mesmo cruel se impõe como filosofia de vida no cotidiano de milhares de crianças e jovens. A indiferença pelas necessidades do outro e a banalização da vida humana são considerados princípios de autopreservação e sobrevivência. E essa idéia é reforçada diariamente pela mídia.
Jorge Schemes,
professor de Filosofia da Educação na ACE, Joinville, SC.
Endereço eletrônico: jorgeschemes@yahoo.com.br

EDUCAÇÃO
O desafio é aprender a aprender (p.4)
Na atual realidade em que vivemos, as transformações são constantes e em ritmo muito acelerado. “Verdades” são questionadas e as nossas “certezas” se tornaram provisórias. Diante deste quadro, aprender a aprender e saber pensar são habilidades indispensáveis ao sujeito.
Maria Helena da Costa Smaniotto,
coordenadora pedagógica do Instituto Municipal
de Educação Assis Brasil, Ijuí, RS.
Endereço eletrônico: mariahelenasmani@uol.com.br

As atividades lúdicas (jogos, brincadeiras, brinquedos...) devem ser vivenciadas pelos educadores. É um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, bem como uma possibilidade para que afetividade, prazer, autoconhecimento, cooperação, autonomia, imaginação e criatividade cresçam, permitindo que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer e construir.
Sandra Alves de Oliveira,
pedagoga e especialista em Matemática e Estatística,
professora no Departamento de Educação
de Guanambi, BA, Uneb.
Endereço eletrônico: soliveira4@hotmail.com

FILOSOFIA
Ética ambiental: que “bicho” é esse? (p.6)
Do que se trata? De cuidar do verde e do lixo? Ou ainda, preservar a natureza intocada? Ou as baleias, o macaco-prego e bichos em extinção? Trata-se de um bicho de milhares de cabeças que, no entanto, muitos querem decapitar, apesar da sua grandeza e urgência.
Marcelo Pelizzolli,
ecologista e professor da UFPE.
Autor das obras Correntes da ética ambiental e
A emergência do paradigma ecológico, Editora Vozes.
Endereço eletrônico: opelicano@ig.com.br

ECOLOGIA
Aparecem os efeitos do aquecimento global (p.7)
Um dos fatores mais preocupantes do atual desequilíbrio ecológico é o aquecimento global, que já deixou de ser assunto de ficção científica e tornou-se realidade. O planeta todo está sofrendo, inclusive o Brasil. Seca na Amazônia, desertificação no Nordeste, furacão e tornados no Sul...
Zélia Gomes da Silva Pacheco,
bióloga, especializanda em Gestão e
Manejo Ambiental na Agroindústria, pela
Universidade Federal de Lavras, MG.
Endereço Eletrônico: dricyne@hotmail.com

GEOGRAFIA
Geopolítica e meio ambiente:
o furo é mais acima! (p.8)
O dia 5 de junho é lembrado como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Avançou-se para uma semana inteira dedicada a atividades especiais para avivar as consciências sobre o cuidado para com o nosso ambiente. Escolas, ONGs, cooperativas, associações amigas da natureza, imprensa, órgãos governamentais etc., todos neste momento unem esforços para socorrer um doente em estado grave. Aliás, estado gravíssimo.
Elton Gilberto Backes,
professor na Escola Técnica Entre-Ijuís e membro
da ONG Políticas Públicas: outro mundo é possível, Santo Ângelo, RS.
Endereço eletrônico: eltonbackes@yahoo.com.br

POLÍTICA E CIDADANIA
Mercosul: avanços e divergências (p.9)
Na atual fase do capitalismo, a globalização, não há outra opção de desenvolvimento soberano para as nações latino-americanas senão a integração regional e o enfrentamento dos problemas como um único bloco.
Adilson Luiz Guilhermino de Lima,
professor de História, Cupira, PE.
Endereço eletrônico: adildartson@bol.com.br

SEXUALIDADE
O amor a gente (ainda) inventa (p.10)
Não adianta, estamos em pleno século 21 e tudo que ainda queremos é amar. Encontrar alguém que nos tire do rumo de vez e que nos leve a rir sem motivos, cantarolar numa fila de banco, enfim, que nos faça mais vivos e, aos olhos dos amigos, uns idiotas.
Clique no link abaixo para ver o artigo completo

O amor a gente (ainda) inventa
Débora de Moraes Coelho,
psicóloga clínica e mestre em Psicologia Social e
Institucional - UFRGS, Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico: debora@intersecpsico.com.br

PAIS E FILHOS
O afeto na família: sentir-se amado(a) (p.11)
Nossa época vem caracterizando-se por um crescente reconhecimento da importância do afeto em todas as relações. Fala-se muito sobre afeto entre pais e filhos, afeto entre aqueles que se amam, afeto para com os animais, para com a natureza e para tudo aquilo com que a pessoa humana se relaciona. E, embora seja o afeto o responsável por dar a cor, o tom, o sabor e o significado para o que vivemos, nem sempre sabemos compreendê-lo, nem valorizá-lo como merece.
Jocelaine Severo,
psicóloga, teóloga e leiga consagrada,
da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry,
São Leopoldo, RS.
Endereço eletrônico: jocelainesevero@yahoo.com.br

JUVENTUDE
Reduzir a maioridade penal ou assegurar direitos? (p.14)
No dia 7 de fevereiro, aconteceu, no Brasil, mais um retrato de violência. No Rio de Janeiro, o menino João Hélio, de seis anos, foi arrastado até a morte por um carro onduzido por um grupo de adultos e um jovem. Depois do fato, a mídia relatou insistentemente o caso, trazendo à tona a discussão sobre a redução da maioridade penal.
Gardene Leão de Castro,
assessora de Comunicação da Casa da
Juventude Pe. Burnier, Goiânia, GO.
Endereço eletrônico: comunica@casadajuventude.org.br

ESPIRITUALIDADE
Os jovens em missão: um exemplo concreto (p.15)
Cerca de 60 jovens, oriundos de comunidades eclesiais de todo o país, realizam nas regiões Norte e Nordeste o Projeto Missionários Leigos da Pastoral da Criança e Pastoral da Juventude, um testemunho concreto da possibilidade de engajamento pastoral e social dos jovens. Apresentamos aqui o depoimento de três deles, como exemplos de jovens em busca de um mundo mais humano e cristão.
Contatos - Projeto Missionário
Diego: diegonetopires@hotmail.com - Fone: (49) 3225-6368
Elen: pj.secretarianacional@gmail.com - Fone: (62) 3278-4278
Elen Linth Marques Dantas,
25 anos, natural do Amazonas,
Secretária Nacional da Pastoral da Juventude,
Presidente do Conselho Nacional de Juventude.
Tassiene Minotto Zaneitte,
23 anos, trabalha com catequese há sete anos
em Criciúma, SC.
Rodrigo Denczura,
23 anos, líder da Pastoral da Criança/
Paróquia Cristo Rei, em Ivaí, PR, desde 2004.

ENSINO RELIGIOSO
Vivemos, logo cremos (p.16)
“A experiência maravilhosa da fé e da espiritualidade não pode ser comunicada apenas pelo estudo racional. Seria como explicar a quem nunca viu uma manga, o sabor próprio e maravilhoso desta fruta. Mas podemos estudar a forma das diversas religiões, considerar a vida como sagrada e assim contribuir para o respeito a todo ser humano e o amor à natureza”.
Marcelo Barros, monge beneditino
Evanor Daniel de Castro,
licenciado em Filosofia e estudante de
Teologia na PUCRS, Porto Alegre, RS.
Endereço eletrônico: vanor_@hotmail.com

HISTÓRIA
A resistência indígena no Rio Grande do Sul (p.17)
Não pertence aos chamados Sete Povos o grosso da história das Missões. Estes fazem parte de um conjunto maior de pueblos, que também tomaram nomes como doutrinas, missões ou reduções, e que aconteceram em terras que hoje integram Paraguai, Argentina e Brasil.
Mário Simon,
professor em Santo Ângelo, RS,
e autor do livro Os Sete Povos das Missões -
Trágica Experiência.
Endereço eletrônico: mariosimon@terra.com.br

LÍNGUA E LITERATURA
O texto do aluno além da gramática (p.18)
Muitas mudanças ocorreram na proposta pedagógica elaborada pelos professores de Língua Portuguesa nesses últimos anos. Antes esses professores elencavam apenas conteúdos gramaticais e o trabalho com redação era guiado apenas pelas datas comemorativas.
Márcio Alessandro de Melo,
professor e coordenador de Língua
Portuguesa no município de Cupira, PE.
Endereço eletrônico: professormarcio@hotmail.com

CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Ficção científica e o gosto pela ciência (p.19)
Atualmente é reconhecido que a ficção científica se constitui num gênero literário extremamente dinâmico, flexível e progressista, em razão de suas características facilmente identificáveis. Ela de fato é transformadora ao familiarizar um sem-número de pessoas com cenários futuros em que
avanços científicos inimagináveis no nosso cotidiano tornam-se realidade. Para crianças e jovens é um ótimo instrumento para desenvolver o gosto pela ciência.
Sugestão de atividades

Atividade 1

• A turma divide-se em grupos de cinco ou seis alunos. Cada grupo escolhe uma obra de ficção científica (filme ou livro) para apresentar posteriormente;
• Os estudantes, depois de assistir ao filme ou ler o livro escolhido, organizam-se para a apresentação.
• Na apresentação para o grande grupo, os alunos fazem uma sinopse (resumo) da obra, explicando o que contém de ficção e o que pode vir a se tornar realidade;
• Ao final, abre-se um debate sobre os pontos em comum entre as obras, questionando se os avanços referidos nas histórias serão benéficos ou maléficos à sociedade.

Atividade 2

• O professor ou a professora de alguma disciplina de ciências projeta em aula um filme de ficção científica, cuja temática possa ser analisada por sua especialidade (Biologia, Física ou Química);
• Após a projeção (ou em outra aula), é feita uma aula expositiva sobre o tema tratado na história. Exemplos: como funciona um foguete espacial; como e por que surge uma epidemia; o que ocasiona desastres ecológicos etc.
• Deixa-se um espaço ao final para que os alunos debatam sobre a ficção e a realidade existente no filme.
Gabriele Sapio,
professor da Universidade Estadual do Piauí-UESPI.
Endereço eletrônico: gabrielesapio@bol.com.br

ESPORTE E SAÚDE
O importante é não ficar parado (p.20)
Alguém aí já ouviu falar de futebol de várzea? Com certeza já, mas explicar exatamente o que é tornou-se um desafio... Isso é normal, pois o futebol de várzea, aquele futebol amador realizado em campos construídos em várzeas mesmo, considerado celeiro de craques dos grandes times de antigamente e também lugar de lazer nas periferias, em muitos casos virou conjunto habitacional ou então não é mais um bom lugar para se freqüentar por causa da violência.
Daniel Barbosa Coelho e Geórgio Miranda,
professores de Educação Física na Universidade
Fundação Mineira de Educação e Cultura
(Fumec/MG). Belo Horizonte, MG.
Endereço eletrônico: danielcoelhoc@bol.com.br e georgiomiranda@hotmail.com

ARTE E CULTURA
Comida brasileira: saborosa e variada (p.21)
Mais do que a divulgação de receitas típicas, saborosas ou saudáveis, a culinária é uma arte que se constitui em um dos mais importantes elementos culturais de um povo. Sem exageros, pode-se afirmar que através dela se acompanha a evolução e a história da humanidade. No Brasil não é diferente: aqui a culinária é tão diversificada quanto a história e a cultura de sua população.
Márcio Zoratto Gastaldo,
Equipe Mundo Jovem.
Endereço eletrônico: marcio.gastaldo@pucrs.br

CURTAS E DICAS

Livro (p.23)
Em tempos de travessia
     O livro do padre Dirceu Benincá consiste em uma coletânea de 95 crônicas publicadas nos últimos dez anos em diversos jornais de circulação local, regional e nacional. Os assuntos tratados são vistos a partir da perspectiva dos pobres e excluídos da sociedade e têm em vista suscitar reflexões na direção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Para adquirir, entre em contato pelo telefone (11) 3976-8681 ou pelo endereço eletrônico: dirceuben@ig.com.br

Mensagem (p.23)
Você viu?
     Na entrevista dessa edição, Marcos Rolim cita as APACs como iniciativas de sucesso na ressocialização daqueles que estão em situação de conflito com a lei. Infelizmente, constata-se um grande desconhecimento por parte da população desse tipo de sistema. A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) foi criada em 1974 com o objetivo de reintegrar verdadeiramente os presos à sociedade, com uma metodologia baseada na experiência dos apenados. Assim, as decisões são tomadas em conselhos formados pelos próprios presos e por voluntários, sendo que os elementos fundamentais de seu funcionamento são a participação da comunidade, o recuperando ajudando o recuperando, o trabalho e a profissionalização, o estudo, a religião e a experiência de Deus, a família, e, acima de tudo, a valorização humana.
     Os resultados são surpreendentes. Nas 108 unidades espalhadas pelo Brasil, o índice de reincidência é menor do que 8%, enquanto a média nacional é de 85% e a mundial de 70%. O custo de manutenção é mais baixo do que um presídio comum e ali as pessoas possuem condições dignas, podendo reencontrar o caminho de sua vida. A filosofia dessa instituição é “matar o criminoso e salvar o homem”. Grande parte da população brasileira, cega pelo terror da violência, esquece-se de uma das premissas básicas da fé cristã: a de que ninguém é irrecuperável. A APAC é uma prova disso. Para conhecer mais detalhes dessa iniciativa, acesse www.geocities.com/fbacapac ou ainda www.apacitauna.com.br

Mais escolas, menos presídios

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