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Professor e aluno, como uma orquestra
O que é educar? Cícero (106-43 a.C.) conceitua “educatio” como a criação dos filhos, a instrução, a doutrina. Fala também em “educere” que seria fazer sair, tem um sentido de dar à luz, como no parto. A educação é adquirida e transmitida a partir do nascimento, com as experiências e relações cotidianas. A família e a sociedade contribuem - significativamente - com o desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais das pessoas.
O educador pode ser, momentaneamente, comparado a um talentoso maestro. Cada membro da orquestra tem a responsabilidade de tocar sincronicamente seu instrumento. Todos são responsáveis pelo sucesso ou fracasso do grupo na hora da apresentação. O maestro conduz e contribui com sua experiência na área. Não deve ser o único, com dicas que ajudarão o cotidiano dos ensaios e apresentações.
Autoridade X autoritarismo
Na sala de aula, cada aluno, com a ajuda do professor, demais colegas e/ou com a utilização de vários materiais ou das novas tecnologias, constrói o seu próprio conhecimento. É de todos o compromisso da aprendizagem. A responsabilidade não é só do maestro, nesse caso, do professor-educador. Mas este tem uma participação fundamental nas experiências que geram “aprendências” na sala de aula. Sua postura frente aos alunos, certamente, contribuirá para o sucesso e conseqüente aprendizagem, como também, dependendo da situação, com o seu reverso.
É preciso recuperar o significado do que é ter autoridade nas relações pedagógicas. A autoridade é sempre justa e está embasada em princípios éticos e/ou em leis e normas educacionais. Na atualidade, é inconcebível a prática do autoritarismo. Quando um educador ou alguém, pensando usar de autoridade, se excede constantemente, acaba contribuindo para que esta autoridade fique doente e se transforme em autoritarismo, que é uma prática inconseqüente e inconcebível. Errar e tomar atitudes drásticas podem ser meios compreensíveis e normais; anormal é se valer de autoritarismos no cotidiano escolar.
Relações pedagógicas justas, sérias, revestidas de humildade favorecem para que surja um clima de liberdade e responsabilidade. Dessas atitudes devem “re-surgir” as ações que irão fazer parte da construção da espinha dorsal que formará o espaço educacional. Existe uma qualidade a ser “re-conquistada” na prática educacional e que passa necessariamente pelo eixo pedagógico: o conhecimento. Nesse sentido, o planejamento das atividades a serem ministradas durante o ano, as reuniões pedagógicas, os conselhos de classe etc., são, necessariamente, pautados e construídos em conjunto.
Gerando vida
Sendo a Educação, na visão de Cícero, um dar à luz, um fazer surgir, a escola assume o papel de proporcionar experiências que ajudem o aluno no trabalho de parto. O conhecimento não provém, não surge do educador. Ele nasce do próprio aluno. O educador é aquele que ajuda o aluno a trazer para fora aquilo que está nascendo no próprio educando. Para muitos alunos esse esforço é tranqüilo. Para outros, é cercado de muitas dificuldades.
Isto demonstra a complexidade e a diversidade dos elementos de aprendizagens. Mas na vida social não é diferente. A escola é um “inter-agir” com o mundo e a comunidade. Portanto a escola e a educação formam um binômio que complementam a vida social e familiar. Ajudam a preparar o aluno para uma vivência mais humana, para um mundo que não precisa ser melhor, mas que necessita ser habitado por pessoas que gerem ações de respeito e valorização da vida e do planeta.
Joceny Possas Cascaes,professor, mestre em Educação, Ibirama, SC.
Endereço eletrônico: joceny@terra.com.br
Artigo publicado na edição nº 357, junho de 2005, página 11, jornal Mundo Jovem.
Poltrona do(a) professor(a)
Reflexão
“A busca de novas relações entre professores e alunos”.
- Com um chapéu de formatura, sentados na cadeira do(a) professor(a), cada um(a) vai desempenhar este papel. O(a) professor(a) vai juntar-se aos alunos.
Formar grupos para que dramatizem uma situação de sala de aula, com os personagens: professor autoritário, aluno dependente; professor liberal, aluno descompromissado.
Conversar sobre a postura de cada personagem e que acordos poderiam ser feitos para mudar a situação representada.
Objetivo:Analisar os papéis que exercemos e como exercemos esses papéis de alunos e professores.
Reflexão
A nossa vida pode ser encarada como uma seqüência de representação de papéis. Na família, os papéis de pais e filhos; no trabalho, as diversas funções e hierarquias; no namoro; nas organizações políticas; na escola, funcionários(as), professores(as), diretores(as) e alunos(as). Cabe a nós, para o bom convívio social e para construir relações novas, mais fraternas e cordiais, desempenharmos e deixar desempenhar os papéis que cabem a cada um(a). Melhor ainda se pudermos conversar e opinar sobre a forma de desenvolver tais papéis. Para isso, nada melhor do que se colocar no lugar do outro, até porque, talvez, um dia, quem hoje foi filho(a), aluno(a), outro dia poderá estar no papel de pai, mãe, professor(a).